Diz a wikipédia sobre o Poço do Bacalhau o seguinte:
"A Cascata do Poço do Bacalhau é uma cascata portuguesa localizada na Fajã Grande, concelho das Lajes das Flores, ilha das Flores, arquipélago dos Açores. Apresenta-se como cascata dotada de uma queda de água que se precipita por cerca de 90 metros de altura.
Como o ciclo médio de armazenamento natural em aquíferos da água nos Açores, ronda os 6 meses, esta cascata muito abundante nas épocas mais chuvosas, vê durante a época estival o seu nível de água torna-se mais diminuto ao ponto de esta se dissipar na forma de uma espessa, pesada e abundante neblina na sua precipitação a caminho do solo onde as águas se depositam numa lagoa natural rodeada de vegetação natural e endémica, a conhecida laurisilva da Macaronésia. Esta lagoa é usada como zona balnear.
As águas que abastecem o manancial desta cascata são originarias das nascentes de altitude que brotam das serras centrais da ilha das flores que por sua vez fazem a captação da humidade nas densas camadas de nuvens que se acumulam por sobre a floresta de laurisilva que servem de núcleo de condensação e ao mesmo tempo de regulador e distribuidor da quantidade de água recebida devido à sua densidade e também à quantidade de musgos (conhecido nos Açores como: Musgão) que atapeta o solo e que vai libertando a pluviosidade recebida de forma lenta e regular."
Sofrerá este texto uma grande alteração na medida em que em vez de vegetação natural a cascata agora encontra-se rodeada de betão e humanização. Ao que consta além das bancadas de repouso já feitas ainda falta construir umas churrasqueiras e realmente fica mesmo só a faltar o moinho que está a ser recuperado servir uma "bujecas" aos turistas cansados.
Eu que cheguei a acompanhar excursões turísticas àquele outrora paradisíaco local e ficava ouvindo as suas exclamações quanto à beleza natural do lugar, fiquei atordoada, triste e ressentida com quem teve a malfadada ideia de transformar aquele pedaço de natureza em estado puro num merendário de berma de estrada que se encontra em qualquer lugar do planeta.
Sinto-me verdadeiramente indignada e revoltada com as autoridades competentes que assistiram a todo este cenário de braços cruzados.
"Quem não se sente, não é filho de boa gente".
Não interpreto mal, quem considera a obra algo de bom, pois bom-gosto é algo que não se adquire na prateleira do supermercado e mesmo que se adquirisse ainda haveria boa gente que não o compraria. No entanto interpreto mal os nossos ambientalistas, defensores e protectores da natureza, aqueles que se revoltam com uma beata largada no meio da rua e que perante isto também nada fizeram. Não vi petição em sitio algum, não vi reclamação, não vi nenhum político a manifestar-se contra...(às vezes o silêncio convém em ano de eleições regionais!)
Bem resta-me demarcar a minha opinião. Ser teimosa na defesa de que as Flores são as Flores porque ainda temos o que os outros não têm: natureza em estado puro. Infelizmente com os políticos que temos, com as mentalidades que temos, teremos natureza em estado puro por pouco tempo, pouco tempo...
Maria José Cabral de Sousa

